segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A filosofia de Epicuro, uma síntese







O Epicurismo



Epícuro, 341-270 a.C.




A filosofia é a arte da vida. Precisamente, é tarefa do conhecimento do mundo, da física - diz Epicuro - é libertar o homem dos grandes temores que ele tem a respeito da sua vida, da morte, do além-túmulo.



Recorre Epicuro à física atomista, mecanicista, democritiana, pela qual também os deuses vêm a ser compostos de átomos, e - habitadores felizes de intermundos - desinteressam-se por completo dos homens.



Igualmente, a alma - formada de átomos sutis, mas sempre materiais - perece com o corpo; daí, nenhuma preocupação com a morte, nem com o além-túmulo: seria igualmente absurdo preocupar-se com aquilo que se segue à morte, como com aquilo que precede o nascimento.



A gnosiologia epicurista é rigorosamente sensista. Todo o nosso conhecimento deriva da sensação. Estas nos dão o ser, indivíduo material, que constitui a realidade originária.

Jardins

Metafísica



O universo não é concebido como finito e uno, mas infinito e resultante de mundos inúmeros divididos por intermundos, espalhados pelo espaço infindo, sujeitos ao nascimento e à morte.



Nesse mundo o homem, sem providência divina, sem alma imortal, deve adaptar-se para viver como melhor puder.



Nisto estão toda a sabedoria, a virtude, a moral epicuristas.

 Epicaro



Moral



A moral epicurista é uma moral hedonista.



O fim supremo da vida é o prazer sensível; critério único de moralidade é o sentimento.



O único bem é o prazer, como o único mal é a dor



O verdadeiro prazer não é positivo, mas negativo, consistindo na ausência do sofrimento, na quietude, na apatia, na insensibilidade, no sono, e na morte



Assim, a vida ideal do sábio, do filósofo, que aspira a liberdade e à paz como bens supremos, consistiria na renúncia a todos os desejos possíveis, aos prazeres positivos, físicos e espirituais.



A serenidade do sábio não é perturbada pelo medo da morte, pois todo mal e todo bem se acham na sensação, e a morte é a ausência de sensibilidade, portanto, de sofrimento.



Nunca nos encontraremos com a morte, porque quando nós somos, ela não é, quando ela é nós não somos mais.



Epicuro admite a divindade transcendente, diversamente do imanentismo estóico



O epicurismo teve, desde logo, rápida e vasta difusão no mundo romano, onde encontramos, sobretudo, Tito Lucrécio Caro - I século a.C. - o poeta entusiasta, autor de De rerum natura, que venerava Epicuro como uma divindade.


A escola epicurista durou até o IV século d.C., mas teve escasso desenvolvimento, conforme o desejo do mestre, que queria os discípulos fiéis até a letra do sistema A originalidade deveria manifestar-se na vida.




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