O Epicurismo
Epícuro, 341-270 a.C.
A filosofia é a arte da vida. Precisamente, é tarefa do
conhecimento do mundo, da física - diz Epicuro - é libertar o homem dos grandes
temores que ele tem a respeito da sua vida, da morte, do além-túmulo.
Recorre Epicuro à física atomista, mecanicista,
democritiana, pela qual também os deuses vêm a ser compostos de átomos, e -
habitadores felizes de intermundos - desinteressam-se por completo dos homens.
Igualmente, a alma - formada de átomos sutis, mas sempre
materiais - perece com o corpo; daí, nenhuma preocupação com a morte, nem com o
além-túmulo: seria igualmente absurdo preocupar-se com aquilo que se segue à
morte, como com aquilo que precede o nascimento.
A gnosiologia epicurista é rigorosamente sensista. Todo o
nosso conhecimento deriva da sensação. Estas nos dão o ser, indivíduo material,
que constitui a realidade originária.
Jardins
Metafísica
O universo não é concebido como finito e uno, mas infinito e
resultante de mundos inúmeros divididos por intermundos, espalhados pelo espaço
infindo, sujeitos ao nascimento e à morte.
Nesse mundo o homem, sem providência divina, sem alma
imortal, deve adaptar-se para viver como melhor puder.
Nisto estão toda a sabedoria, a virtude, a moral
epicuristas.
Epicaro
Moral
A moral epicurista é uma moral hedonista.
O fim supremo da vida é o prazer sensível; critério único de
moralidade é o sentimento.
O único bem é o prazer, como o único mal é a dor
O verdadeiro prazer não é positivo, mas negativo,
consistindo na ausência do sofrimento, na quietude, na apatia, na
insensibilidade, no sono, e na morte
Assim, a vida ideal do sábio, do filósofo, que aspira a
liberdade e à paz como bens supremos, consistiria na renúncia a todos os
desejos possíveis, aos prazeres positivos, físicos e espirituais.
A serenidade do sábio não é perturbada pelo medo da morte,
pois todo mal e todo bem se acham na sensação, e a morte é a ausência de
sensibilidade, portanto, de sofrimento.
Nunca nos encontraremos com a morte, porque quando nós
somos, ela não é, quando ela é nós não somos mais.
Epicuro admite a divindade transcendente, diversamente do
imanentismo estóico
O epicurismo teve, desde logo, rápida e vasta difusão no mundo
romano, onde encontramos, sobretudo, Tito Lucrécio Caro - I século a.C. - o
poeta entusiasta, autor de De rerum natura, que venerava Epicuro como uma
divindade.
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